Por favor dê licença: o Babado de Chita vai passar!

10 out

 

Em 2002, um grupo de alunos  de uma oficina de danças brasileiras em São Paulo,  muito entusiasmados e inspirados pelas inúmeras manifestações tradicionais brasileiras, resolveram se juntar para mostrar toda essa riqueza e diversidade para o público. Nascia aí o Grupo Babado de Chita – Dança, Música e Pesquisa Cênica Popular.

                                       Grupo Babado de Chita 

No repertório há ritmos característicos de várias regiões do Brasil, como o coco e a ciranda, de Pernambuco, o cacuriá, do Maranhão, o jongo, de Guaratinguetá e o carimbó, do Pará. Impossível ouvir e ficar parado.

 

A dança é contagiante e, sabendo disso, o público das apresentações é sempre convidado a participar da “brincadeira” junto com o Grupo, que não deixa ninguém de fora!

Não perca a apresentação do Babado de Chita na Entoada! É dia 23, às 15h no Bosque do Povo!

 


 

A Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene!

10 out

Diretamente de São Paulo, chega para a Entoada Nordestina de 2011 a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene. O Morro já é bem famoso por ser palco da  festa do Bumba-Meu-Boi.  São três festas por ano, no sábado de Aleluia comemora-se o nascimento do Boi, que é batizado no mês de junho e morre no fim do ano, perto do dia de Finados. E renasce no ano seguinte.

                                       Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene

A Orquestra que surgiu em 2000, mostra a versatilidade do berimbau interpretando toques de capoeira e ritmos da música brasileira, com arranjos e regência do Mestre Dinho Nascimento.

                                       Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene

A idéia de uma Orquestra de Berimbaus surgiu nos encontros informais que aconteciam na pracinha do morro, ao cair das tardes de domingo, quando Dinho Nascimento e alguns amigos se reuniam para tocar, jogar capoeira e passar seus ensinamentos aos mais jovens e outros recém-chegados.

O resultado disso tudo é uma Orquestra com harmonia perfeita, muito bem ritmada, interpretando toques da capoeira e ritmos da música brasileira de uma maneira que você nunca ouviu!

Para saber mais da Orquestra acesse ao site do Mestre Dinho, e se prepare:  dia 22 às 15h no Bosque do Povo!

Cia.Caracaxá Maracatu de Baque Virado chegou!

6 out

Representando o Maracatu de Baque Virado, a Cia. Caracaxá chega de verde e branco, suas cores oficiais para se apresentar na Entoada!

                                       Cia. Caracaxá

A Cia. se formou no final de 2003, mas antes disso já passava por um intenso trabalho de pesquisa sobre o Maracatu de Baque Virado.  É composta, em grande parte, por músicos que foram e são de grupos de percussão e outras companhias tradicionais de São Paulo.

                                       Cia. Caracaxá

O Maracatu Nação de Baque Virado é  prática popular tradicional do Estado de Pernambuco,  graças a seu trabalho de intensa pesquisa, o Grupo executa as Toadas das Nações assim como as suas próprias composições. As toadas são músicas que o grupos de maracatu compõem e executam.

A Cia.  Caracaxá  ensaia toda quinta-feira, às 20h na Raia da USP  e os ensaios são abertos ao público!

Por isso não perca a apresentação da Cia. Caracaxá de Baque Virado na Entoada deste ano! É dia  23, domingo às 17h no Bosque do Povo!

O arrastão do Batuntã!

5 out

O Batuntã é um grupo de percussão formado em 1999. O som deles são composições próprias e excelentes releituras de outros ritmos brasileiros, interagindo com o espaço usando a percussão, o canto e a dança durante todo o tempo.

Essa mistura cria uma musicalidade muito original, acompanhada pela batida dos tambores.

Dentre os ritmos trabalhados, estão presentes maracatus, baião, samba-reggae, samba-de-roda, coco, caboclinho, maculelê, afoxé e ritmos africanos. As apresentações do Batuntã expressam essa variedade cultural também nos instrumentos tocados: alfaias, agbês e gonguê; surdos, repiniques e tamborins; djembês e dununs; caracaxás e preacas; caixa, timbal, ganzás, agogô, entre outros.

 

As múltiplas influências que o grupo tem é enriquecida pelo contato direto dos integrantes  com a cultura popular pernambucana. Esse contato foi estabelecido através de viagens que o grupo fez para pesquisar detalhes sobre festas e manifestações tradicionais de Pernambuco.

No trabalho realizado pelo Batuntã, a percussão é o foco principal, trazendo consigo não só suas batidas, mas diversos elementos do universo das festas populares.

                                       Arrastão Musical com Batuntã

Para a Entoada , o Batuntã preparou o Arrastão Musical: baseado em desfiles de rua e cortejos populares, essa manifestação presente em boa parte do país, contagia as pessoas em volta e as “arrastam” junto com o cortejo. Normalmente possuem um caráter sagrado, parte de um ritual, celebrando a coroação de reis negros em congadas e maracatus.

Não perca o Arrastão do Batuntã na Entoada! É no Bosque do Povo às 17h, no dia 22 (sábado)!

 

Nordeste de Fé

29 set

O Nordeste é rico em festa, é rico em cultura de raiz, é rico em comida e é rico em religiosidade.

É a Região do Brasil com maior sincretismo religioso (a fusão de doutrinas de diversas origens sejam de crença religiosa ou filosóficas). É a terra do candomblé, do catolicismo, de Padre  Cícero, de Nosso Senhor do Bonfim. Dizem que na Bahia, você tem uma igreja para cada dia do ano. Sem falar nos terreiros.

É a terra dos romeiros, das curas milagrosas, dos anjos dos sertões.  Todos rezam pra seca passar, pra água cair, pra fome cessar. Neste retrato profundo e emocionante, existem “santos” que atraem mais que devotos ao Nordeste, atraem pessoas em busca de uma vida melhor, de uma resposta, de uma saída, ou apenas um agradecimento por uma graça alcançada.

A fé em Padre Cícero, ou carinhosamente conhecido como Padim Ciço, fez de Juazeiro do Norte, o segundo maior centro de peregrinação no Brasil, só perdendo para Aparecida do Norte.  Padre Cícero foi ordenado em 30 de novembro de 1870, e fincou moradia em Juazeiro depois de uma visita que mudou sua vida. Sentiu-se acolhido pelo povo, e a recíproca foi verdadeira.  O seu primeiro milagre, relatado por todos, foi o episódio da hóstia que colocada na boca de uma fiel, teria se tornado sangue, começando ali os relatos de milagre realizados pelo Padre. Foi considerado como santo pelo povo, mas místico pela Igreja. Recebeu o perdão do Vaticano mas foi proibido de celebrar missas.  Foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte em 1911. Em 1977 , devido a sua história de fé e devoção, foi canonizado pela Igreja Católica Brasileira. Fato curioso, é que o Rei do Cangaço, o Lampião, era devoto de Padim Ciço.

                                 Estátua do Padre Cícero em Juazeiro do Norte no Ceará.

Para o povo baiano, um dos maiores símbolos de fé e peregrinação, é a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, templo católico localizado em Salvador. A história é que um Capitão da Marinha Portuguesa, durante uma tempestade fez uma promessa ao Nosso Senhor do Bonfim.  Prometeu que se sobrevivesse á tempestade, levaria ao Brasil a imagem de sua devoção.  É considerada uma das mais tradicionais igrejas católicas de Salvador. Padroeiro dos baianos e símbolo do sincretismo religioso: para os candomblé é considerado Oxalá. A famosa lavagem da Igreja começou em 1773, feita pelos escravos e segue até hoje.  As baianas,todas vestidas de branco, saem da Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia e seguem até o alto do Bonfim. lavam com água de cheiro todos os degraus. Como o Nosso Senhor do Bonfim tem muito sincretismo religioso, os participantes desta festa são religiosos da Igreja Católica, do candomblé e todos celebram a fé no Santo.

                                 Igreja do Nosso Senhor do Bonfim – Salvador, Bahia.

O candomblé também é muito forte no Nordeste, principalmente em Salvador. A religião foi desenvolvida no Brasil pelos sacerdotes africanos que foram trazidos da África  e escravizados no Brasil. A religião tem por base a alma da natureza.  Cada nação africana, tinha como base o culto a um único Orixá. A junção de todos os cultos foi um fenômeno ocorrido aqui no Brasil, que aconteceu por causa da junção de vários escravos de diferenças etnias. Salvador também tem o  terreiro de Candomblé mais antigo do Brasil, o Terreiro Casa Branca . É  o primeiro Monumento Negro considerado pelo Patrimônio Histórico do Brasil, desde 31 de maio de 1984. O tombamento do Terreiro Casa Branca, foi realizado em 14 de agosto de 1986, pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

                                                        Terreiro Casa Branca em Salvador, Bahia

 

O sincretismo religioso do Nordeste, está presente na Entoada Nordestina através de manifestações como o Maracatu ( representado neste ano ano pelo Grupo Caracaxá de São Paulo). No espaço de cinema, você poderá conferir os curtas metragens documentários “Covinhas – Uma história de fé” e “Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos”, que mostram a força da fé no sertão do Nordeste.

 

De rima em rima: Literatura de Cordel.

27 set

E você sabe o que é Literatura de Cordel?!

É um gênero literário popular, escrito de forma rimada, originados de relatos reais que depois são impressos. O Cordel é produção típica do Nordeste, especialmente nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e do Ceará. Mas engana-se quem pensa que surgiu por lá! O Cordel vem lá de Portugal.

Era muito comum o cordel ser vendido nas feiras pelos próprios autores. O nome cordel foi dado por causa da forma como os folhetos eram expostos. Eram colocados em cordas, barbantes nas feiras.

Em 1988, para reunir os autores do gênero popular, foi criada a Academia Brasileira de Literatura de Cordel com sede no Rio de Janeiro.

Existem 11 maneiras diferentes de se escrever um Cordel e a poética dele é da seguinte maneira:

– Quadra:  Estrofe de quatro versos. A quadra é mais usada com sete sílabas, obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas).

– Sextilha:  É a mais conhecida. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião.

– Septilha: Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete).

– Oitava: Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão.

– Quadrão: Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si e todas as estrofes são encerradas com o verso: “Nos oito pés a quadrão”.

                                     Literatura de Cordel na Entoada Nordestina: Recanto da Leitura Especial

– Décima: Estrofe de dez versos, com dez ou sete sílabas, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos frequência, no corpo dos romances.

– Martelo: Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heroicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado.

– Galope à Beira-Mar:  Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rímico da décima clássica, e que finda com o verso “cantando galope na beira do mar” ou variações dele.

– Redondilha: Verso de cinco ou de sete sílabas, respectivamente redondilha menor e redondilha maior.

– Carretilha:  Décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica; miudinha, parcela, parcela-de-dez.

Na Entoada Nordestina existe um espaço voltado à Literatura de Cordel!

Portanto já sabe: para ler o cordel se achegue em uma das redes nos dias 22 e 23 e aproveite!

O sabor que o Nordeste tem!

23 set

Quando falamos de culinária nordestina, falamos de temperos fortes e marcantes.

Ela é influenciada pela suas condições geográficas e econômicas ao longo da história. Tem ingrediente indígena, africano e português. Essas misturam criam o sabor único da cozinha nordestina.

Alguns dos seus pratos típicos:

O baião de dois, que  é um prato de arroz e feijão (de preferência verde ou feijão novo) misturados que se acrescenta carne seca;

                                            Baião de Dois

A tapioca, é feita com polvilho doce que vem da mandioca, o polvilho é colocado na frigideira até que ele fique parecendo um “crepe”. Depois é só acrescentar os recheios desejados como coco e leite condensando ou queijo coalho. Curiosidade mais que bacana da tapioca: em 2006, ela foi declarada “Patrimônio Imaterial e Cultural de Olinda”, pelo Conselho de Preservação do Sítio Histórico de Olinda (Pernambuco);

                                                  Tapioca

O queijo coalho é personagem já muito tradicional do Nordeste! É um queijo de massa branca, salgado que tem como característica resistência ao calor, por isso pode ser levado ao fogo ficando tostado/assado;

Quitute de milho verde, muito famoso em todos os Estados do Nordeste, essa é a pamonha. Para o preparo da pamonha é  ralado o milho e à massa resultante são misturados leite, sal ou açúcar.  Depois essa massa é colocada na própria casca do milho e são cozidas no vapor.

                                   Pamonha

Prato de saber exótico para uns, iguaria indispensável a outros: este é o sarapatel.  Na verdade o sarapatel nasceu no Alto Alentejo em Portugal, e o que conhecemos hoje é uma adaptação. É feito com diversas iguarias preparadas com vísceras de porco, cabrito ou ovelha.

 

Pois bem, agora é só degustar todas as delícias!